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Living Colour passa por São Paulo com a turnê de 40 anos!

  • há 4 minutos
  • 3 min de leitura

Casa cheia, público entregue e uma banda que, quatro décadas depois, segue soando necessária. Foi assim o encontro do Living Colour com São Paulo na noite de ontem (27), em apresentação produzida pela Top Link Music, que acertou em cheio ao trazer a turnê comemorativa ao Brasil com estrutura impecável e organização à altura da importância do grupo.


Crédito: André Tedim @andretedimphotography / Top Link Music
Crédito: André Tedim @andretedimphotography / Top Link Music

A introdução foi cinematográfica: “The Imperial March”, de John Williams, ecoou pelo sistema de som enquanto a banda subia ao palco sob aplausos ansiosos. A entrada oficial veio com “Leave It Alone”, já estabelecendo o peso e a identidade que definem o Living Colour desde o fim dos anos 80.


Sem perder tempo, “Middle Man” colocou a casa inteira para cantar junto. Era nítido: não havia plateia morna. O público estava pronto e a banda também.


Crédito: André Tedim @andretedimphotography / Top Link Music
Crédito: André Tedim @andretedimphotography / Top Link Music

A sequência mostrou o quanto o quarteto sempre dialogou com outras linguagens musicais. “Memories Can’t Wait”, do Talking Heads, ganhou versão intensa e moderna. Em seguida, “Ignorance Is Bliss” e “Go Away” mantiveram o clima em alta, com riffs afiados de Vernon Reid e uma base pulsante de Doug Wimbish e Will Calhoun, que tocaram com constante troca de olhares e sorrisos no palco.


Um dos momentos mais simbólicos da noite veio no medley “Funny Vibe / Fight the Power”, conectando a própria história da banda ao clássico do Public Enemy. Foi mais do que música foi posicionamento. O Living Colour nunca se esquivou de dizer o que pensa, e isso ficou claro mais uma vez.


A energia seguiu com “Bi” e a poderosa “Open Letter (to a Landlord)”, que ganhou força especial em uma São Paulo que entende bem o peso social da letra. O público cantou alto, transformando a música em um coro coletivo.


Então veio um dos pontos mais emocionantes da noite: “Hallelujah”, de Leonard Cohen. Corey Glover surpreendeu ao conduzir a interpretação com respeito e intensidade, criando um silêncio reverente na casa lotada. Foi um contraste bonito dentro de um set predominantemente explosivo.


Crédito: André Tedim @andretedimphotography / Top Link Music
Crédito: André Tedim @andretedimphotography / Top Link Music

Logo depois, o drum solo de Will Calhoun reafirmou a técnica absurda do músico, preparando o terreno para “This Is the Life / Tomorrow Never Knows” essa última originalmente dos The Beatles que mostrou mais uma vez a habilidade do grupo em reinventar referências.


“Pride” elevou novamente a vibração da noite, seguida por um momento quase festivo com o medley que incluiu “White Lines (Don’t Don’t Do It)” (de Grandmaster Flash and the Furious Five), “Apache” e “The Message”. A pista virou um grande baile rock-funk-hip hop.


Na reta final, o peso voltou com força total. “Glamour Boys” trouxe o groove característico que marcou época na MTV, seguida pela atmosfera envolvente de “Love Rears Its Ugly Head”.


Crédito: André Tedim @andretedimphotography / Top Link Music
Crédito: André Tedim @andretedimphotography / Top Link Music

Mas foi com “Type” que o show entrou em modo absolutamente agressivo riffs cortantes, bateria precisa e Corey incendiando o público. Em “Time’s Up / What’s Your Favorite Color? (Theme Song)”, a mensagem crítica veio acompanhada de pura intensidade sonora.


O clímax inevitável aconteceu com “Cult of Personality”. O Tokio Marine Hall veio abaixo. Era impossível não cantar, pular ou simplesmente sorrir diante da força daquele riff histórico.


No encore, “Solace of You” encerrou a noite com emoção e entrega, fechando um espetáculo que transitou entre peso, groove, crítica social e sensibilidade.


Um dos momentos mais humanos da apresentação aconteceu quando Corey percebeu uma fã na primeira fileira comemorando aniversário. Ele interrompeu o protocolo, puxou um “parabéns” coletivo e transformou o Tokio Marine Hall em uma celebração íntima dentro de um show grandioso. Pequenos gestos que mostram o tamanho da conexão entre banda e público.


O Living Colour não fez apenas um show nostálgico. Fez um manifesto vivo sobre relevância, identidade e resistência artística. A banda interagiu o tempo inteiro, sorriu, improvisou, provocou e foi correspondida por uma plateia extasiada do começo ao fim.


O Living Colour saiu reafirmando por que, 40 anos depois, continua sendo uma das bandas mais importantes e necessárias do rock mundial.

 
 
 

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Alisson Marcondes
Alisson Marcondes
há um minuto
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Excelente! 🤘

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