Monsters of Rock 2026 transforma o Allianz Parque em uma celebração entre gerações do rock
- 5 de abr.
- 3 min de leitura
Festival reúne lendas e novas promessas em São Paulo e prova que o rock segue vivo, relevante e em constante renovação

Jayler: o início com sede de palco

Abrindo o festival, o Jayler " sensação do momento, teve a missão ingrata mas clássica de tocar para um público ainda em formação. Ainda assim, a banda soube aproveitar o momento com inteligência.
Sem tentar forçar interação artificial, o grupo apostou na entrega musical: riffs diretos, vocais carregados de identidade e uma presença honesta. Foi um começo sólido, que funcionou como um convite para o que viria pela frente, realmente os meninos são bons, não é atoa que estão sendo chamados de "novo" Led Zeppelin.
Dirty Honey: conexão imediata com o público

Logo depois, o Dirty Honey elevou o nível de atenção no estádio. Com uma sonoridade que conversa diretamente com o hard rock clássico, a banda conseguiu algo essencial em festivais: prender quem ainda estava chegando.
Os refrões funcionaram bem ao vivo, os solos vieram com peso e a postura de palco mostrou uma banda confortável em espaços grandes. Foi um set que ajudou a transformar o ambiente disperso em público engajado.
Yngwie Malmsteen: técnica impecável, resposta contida

O guitarrista sueco entregou exatamente o que se espera dele: virtuosismo extremo, precisão absurda e domínio completo do instrumento.
Mas, em contraste, a resposta do público foi mais contida. Talvez pela proposta mais técnica do show ou pelo momento do festival, a apresentação soou mais contemplativa do que explosiva — ainda assim, uma aula para quem valoriza guitarra como protagonista.
Halestorm: peso moderno e presença dominante

O Halestorm trouxe uma virada de chave no festival. Com mais intensidade e atitude, a banda conseguiu reenergizar o público.
A força da apresentação passa muito pela presença de palco: vocais potentes, dinâmica bem construída e uma entrega que mistura agressividade com controle. Foi um dos melhores shows do festival e um dos mais equilibrados da noite, conectando diferentes gerações de fãs.
Extreme: precisão e emoção em alta

Mesmo sob condições menos favoráveis, pois a chuva decidiu começar bem na hora que a banda subiu ao palco o Extreme entregou um dos momentos mais marcantes do festival.
A banda soa afiada, entrosada e segura. Os momentos mais melódicos criaram um contraste interessante dentro do lineup, trazendo emoção em meio ao peso. Foi aquele tipo de apresentação que não depende de nostalgia funciona pelo que ainda é hoje, e obviamente o momento mais aguardado do show foi quando o classico " more than words " foi apresentada de maneira acustica.
Lynyrd Skynyrd: legado vivo no palco

Representando uma linhagem mais clássica do rock, o Lynyrd Skynyrd trouxe um show carregado de significado.
Mais do que performance, foi uma experiência de conexão com a história.

A banda soube transformar o palco em um espaço de celebração coletiva, onde cada música carregava peso emocional e identidade. Um dos momentos mais respeitados da noite, musicas como "Simple Man", "Free Bird", "Sweet Home Alabama", fizeram parte do repertorio da noite
Guns N’ Roses: encerramento grandioso e catarse coletiva
Fechando o festival, o Guns N’ Roses entregou o que o público esperava e talvez um pouco mais.
Com um setlist que equilibrou clássicos e surpresas ( incluindo a musica Bad Apple que não era apresentada desde 1991 ), o show manteve o estádio envolvido do começo ao fim. A força da banda ao vivo continua sendo sua capacidade de transformar músicas conhecidas em experiências compartilhadas gigantes.
Foi o tipo de encerramento que não deixa dúvidas: o status de headliner não é apenas histórico, é sustentado no palco.
Foram duas horas e meia de show com um setlist de 25 musicas que deixou aquela sensação de quero mais, pois varios clássicos da banda ainda ficaram de fora, por exemplo " Patience " "Don't Cry" entre outros.
Um festival que entende o seu próprio legado
O Monsters of Rock 2026 não tentou reinventar o gênero e nem precisava. Seu maior acerto foi entender que o rock continua relevante justamente por sua diversidade interna.
Do novo ao clássico, do técnico ao visceral, o festival construiu uma narrativa coerente ao longo do dia. Cada banda ocupou um papel claro dentro dessa história.
No fim, o que ficou não foi apenas a soma dos shows, mas a sensação de continuidade.
O rock não vive apenas de nostalgia ele se renova, se adapta e, principalmente, continua fazendo barulho quando encontra o palco certo.
E no Allianz Parque, ele encontrou.


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